Com diagnóstico tardio, criança morre de meningite após ter pernas e braço amputados

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O menino André Victor Mizuhira de Lima, de 7 anos, que faleceu no dia 30 de junho na Santa Casa de Campo Grande, poderia estar vivo se não tivesse sofrido negligência médica. É o que acredita a mãe da criança, Suziandra Mizuhira Rodrigues, 26 anos, que só descobriu o diagnóstico de meningite após peregrinar por duas Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) da cidade.

Segundo Suziandra, André começou a apresentar os primeiros sintomas da doença no dia 27 de maio e foi levado por ela para a UPA do Universitário. “Ele chegou lá com muita dor de garganta, vômito e diarreia. O médico receitou dipirona, soro e liberou para ir embora”, explicou a dona de casa.

Dois dias depois, no dia 29 de maio, manchas vermelhas apareceram no corpo do menino e, novamente, a mãe procurou ajuda médica, dessa vez na UPA do Coronel Antonino. “A médica pediu exame de sangue, mas no posto não tinha o tubete para fazer a coleta. No período da noite fui para a UPA do Universitário para ele fazer o exame”, contou.

No dia 30, a mãe levou a criança até a mesma unidade e a médica plantonista diagnosticou a criança com mononucleose, que é uma doença viral. Ela receitou ibuprofreno, dipirona e soro. Segundo a mãe de André, no exame feito na unidade já constava que a criança estava com meningite, porém a médica não soube entender o laudo.

No dia seguinte, as manchas pelo corpo de André que antes eram vermelhas, estavam roxas. Suziandra correu com o filho, que já estava quase desfalecido, para a UPA do Universitário. “Ele já estava desfalecendo, com os batimentos cardíacos bem fracos e também não estava andando. A médica colocou ele no oxigênio e esperamos das 16h até às 22h uma ambulância para levá-lo para a Santa Casa”, detalhou. No hospital, André teve duas paradas cardíacas.

(Mãe acredita que diagnóstico no início teria evitado morte do filho. Foto: Wesley Ortiz)

Dois dias depois da internação, a mãe recebeu o laudo e descobriu que o filho estava com meningite. Durante o mês que a criança ficou internada, os médicos amputaram as pernas e o braço do menino por causa de necrose e ele também adquiriu três infecções. No dia 31 de julho, André faleceu.

Para Suziandra, está claro que houve negligência médica no caso. ”Fui quatro vezes procurar atendimento médico. Na primeira vez, meu filho ainda estava bem. Se tivessem feito exame antes, teriam detectado a doença, teríamos tratado e hoje ele estaria vivo”, lamentou a mãe.

Conforme Valdemar Moraes de Souza, presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, houve negligência médica e agora a associação vai cobrar que a justiça seja feita. ”Essa negligência também passa a ser tratada como erro médico. A associação está fazendo a sua parte. Queremos saber do Ministério Público Estadual (MPE) qual linha será seguida. Queremos agilidade da Justiça”, disse.

Segundo Valdemar, houve negligência principalmente na UPA do Coronel Antonino, onde até um prontuário do atendimento da criança desapareceu. A falta de tubete para a coleta do sangue também mostra a precariedade da saúde da cidade.

O caso já foi encaminhado ao MPE.

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